Bem-vindo!

Estou tão feliz de noiva!, lembro que disse a mamãe, e engraçado que parece que foi a última coisa que lhe disse; no entanto sei por toda força que não foi, porque mamãe felizmente ainda esteve muitos anos conosco, mas aquela frase teve textura, sabor, maviosidade, e portanto as que vieram depois soaram insípidas, e às vezes tenho a impressão de que, se pudesse de novo entrar no vestido, a alma das palavras voltaria, como um atraso de primavera.

(In: A menina de véu. Rio de Janeiro: Rocco, 2014. p. 41-42)